O trabalho de Mano Menezes e as limitações do elenco gremista
Passadas algumas semanas desde a chegada de Mano Menezes ao comando técnico do Grêmio, chegou a hora de fazer uma avaliação. Como torcedor, confesso que demorei a escrever sobre o tema, pois preferi observar o cenário, os resultados e, principalmente, o desempenho antes de emitir uma opinião. A saída de Gustavo Quinteros demorou demais. Era uma mudança inevitável após o desfecho gremista no Campeonato Estadual. Agora, com Mano, é hora de analisar com racionalidade o que mudou.
É verdade que seguimos vivos nas Copas. Na Sul-Americana, invictos e como melhor brasileiro até aqui, mas com o risco real de terminarmos em segundo lugar no grupo e cairmos nos playoffs. Na Copa do Brasil, a missão é reverter, na Arena, uma derrota indigesta para o CSA, por 3 a 2, em Maceió. Ou seja: estamos vivos, mas longe da estabilidade.
No Brasileirão, o cenário é mais delicado. Estamos no Z4, lutando contra o rebaixamento. Em nove rodadas, enfrentamos rivais diretos na parte de baixo da tabela, mas também medimos forças com times mais qualificados. Perder para o Flamengo é compreensível pela fase do Tricolor, no entanto, empatar com o Internacional e o Bragantino não foi nada bom. A vitória sobre o Atlético-MG, em crise de resultados, e o triunfo contra o frágil Santos trouxeram alento. Mas a derrota para o São Paulo expôs nossas fragilidades com dureza. Contra times como Ceará, Mirassol e Vitória, que vivem um bom momento sem brigar na parte de cima, perdemos pontos valiosos.
É preciso reconhecer: houve uma mudança clara de postura após a saída de Quinteros. O time está mais aguerrido, os jogadores demonstram mais entrega. Mas só isso não basta. A defesa continua vulnerável, o meio-campo carece de criatividade e controle de jogo. A torcida está dividida. Parte cobra mais do técnico, outra acredita que o problema é o elenco, e não o treinador. Eu me incluo nesse segundo grupo, porque confio no Mano e acredito que o elenco é limitado.
Enquanto não houver mudanças estruturais, principalmente na zaga e no setor de criação, o time continuará patinando, independentemente de quem esteja na beira do gramado. É urgente a chegada de um zagueiro que forme dupla com Wagner Leonardo, assim como a entrada de um jogador que pense o jogo, que controle o meio-campo e dite o ritmo da equipe.
Mano é conhecido por montar equipes organizadas, com solidez defensiva e pragmatismo. Mas, sem peças minimamente qualificadas, sua proposta se esvazia. Ele sabe disso, a torcida sabe, a direção sabe. A janela de transferências precisa ser usada com inteligência e urgência. Do contrário, a evolução esperada a partir do trabalho de Mano nunca virá.
Foto: Lucas Uebel | Grêmio FBPA

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